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Ambição

Meu pai faleceu quando eu tinha três anos, e minha mãe ficou sozinha para ensinar quatro filhos a crescer, viver e amar. Não foi nada fácil para ela; que trabalhava doze horas por dia como professora de uma escola noturna, mas, de alguma maneira, ela conseguiu fazê-lo. Chegava tarde em casa, preparava o jantar, escutava nossas histórias e punha todos na cama antes de ter tempo para si mesma. Na época, nunca demos muita importância a isso, mas agora vemos que nós éramos a vida dela. Lembro de ter lhe perguntado por que se sacrificava tanto por nós, e sua resposta foi espantosa: "O sucesso de vocês será minha maior recompensa." Desde esse dia, minhas atitudes e ações mudaram. Encontrei força e coragem suficientes para enfrentar os problemas, em vez de evitá-los. Eu queria alcançar novas alturas, e o jeito era procurar eu mesmo o desafio. Ela ia a todas as competições, e sempre era a primeira a chegar e a última a ir embora. Ainda ouço essas palavras, que mudaram minha vida. O objetivo dela era nos ajudar e nos dar a oportunidade de fazer grandes coisas; minha ambição era aceitar e aproveitar essa oportunidade.


Apreciação

Faz quinze anos que sou professora e ainda não achei uma maneira de me preparar para enfrentar o último dia do ano letivo. O primeiro dia de aula sempre começa com certa ansiedade e nervosismo, à medida que os alunos e eu nos acomodamos no pequeno mundo que é a sala de aula. É um mundo que vamos compartilhar pelos nove meses seguintes. Rio, choro e finalmente comemoro o sucesso dos alunos à medida que eles avançam. As mesmas emoções de felicidade e tristeza me invadem quando me despeço, no último dia de aula. É como dizer adeus a parentes que nunca mais vou encontrar. Sempre consigo manter um sorriso até que o último aluno saia. Mas aí me sento e deixo correr as lágrimas, enquanto olho para os presentes deixados no meu escritório pelos alunos que se foram. Depois de tantos dias como esse, pensando se fiz alguma diferença na vida dos meus alunos, leio todos os cartões. "A senhora foi a melhor professora que já tive. Com muita afeição", leio, enquanto pego silenciosamente a caixa quase vazia de lenços de papel.


Acreditar nos outros


Interesse pelos outros


Sacrifício

Enquanto caminhava pela trilha íngreme para a faculdade, vi uma ciclista solitária fazendo força para subir a ladeira íngreme. De repente, a corrente se soltou, a garota perdeu o impulso e começou a descer ladeira abaixo. Ela mal conseguiu se equilibrar para não cair, e, quando cheguei aonde ela estava, vi que tinha descido da bicicleta e estava de pé ao lado da mesma. Ao me aproximar, vi que estava chorando. "Que azar", pensei, enquanto dava uma olhadela no relógio, que confirmou que faltavam só cinco minutos para a minha primeira aula começar Apressei o passo e comecei a subir a mesma ladeira. Enquanto caminhava, lembrei-me de um dia, quando criança, em que tive que, pela primeira vez, consertar um pneu de bicicleta furado. Mesmo estando de terno para ir trabalhar, meu vizinho viu o que tinha acontecido e veio me ajudar a consertar o pneu. Dei mais uns passos e, então, voltei para onde estava a garota, que agora estava tentando enxugar as lágrimas. "Precisa de ajuda?" -- perguntei ao me aproximar. "Você entende de bicicletas?" -- respondeu ela. Avaliei a situação e me dei conta que seria fácil colocar a corrente de volta no lugar. "Parece que o problema foi que isso enroscou na corrente" – disse, mostrando-lhe os restos engraxados de uma planta. Um sorriso suave cruzou o seu rosto coberto de lágrimas. "Obrigada por me ajudar" – disse ela, ao mesmo tempo em que seu sorriso aumentava. "Não há de quê" respondi, voltando-me para reiniciar a subida da ladeira. Mesmo com as mãos cheias de graxa, a subida me pareceu mais fácil pelo contentamento de haver ajudado a tornar um pouco melhor o dia de outra pessoa. Valeu a pena chegar alguns minutos atrasado.


Classe e gentileza

Era o dia do casamento da minha irmã Kátia, e ela deslizava pelo salão de festas, sorrindo e agradecendo aos convidados, dançando com cada um dos avôs e achando tempo para conversar com as meninas que tinham levado as flores. Estava tão linda e tranqüila que ninguém imaginaria que a florista tinha mandado as flores erradas, que o bolo de casamento de três andares tinha chegado um pouco torto, e que uma das damas de honra havia rasgado o vestido alguns minutos antes da cerimônia. Incidentes que podiam ter transformado o dia em um evento tenso e decepcionante só foram motivo de risos, graças à atitude de Kátie. Sem que ela notasse, observei como ela reagia com calma e simpatia ao falar com a florista, que se desmanchava em desculpas, e como ria ao posar para fotografias indiscretas que mostravam a ligeira inclinação do bolo. Quando a dama de honra tropeçou nos saltos dos sapatos e rasgou um pedaço da saia, Kátie não entrou em pânico. Ajudou a consertar o rasgão com um grampeador, o que deu vez a mais fotografias indiscretas dela e da dama de honra com o grampeador. Quando meus amigos comentam as brigas que tiveram com as noivas nervosas, fico quieto. Mantenho uma foto pregada na parede que mostra minha irmã sorrindo junto a um bolo meio torto, lembrança de impressão duradoura de classe e gentileza em todas as situações.


Comprometimento

Aqui estamos nós, de braços dados, no pátio da casa de nossa filha mais velha, em uma linda noite de verão, rodeados de amigos e parentes. Há velas acesas, mesas cheias de comida e a música da orquestra sai pelos alto-falantes do pátio. É nosso quadragésimo aniversário de casamento, e enquanto nossa filha faz um brinde a nosso amor e dedicação mútua, e todo mundo ergue as taças bem alto, vejo uma lágrima brilhando no canto dos olhos de minha esposa. Não chegamos a esse ponto porque foi fácil. Celebramos nosso quadragésimo aniversário de casamento como resultado de nossos votos; mantivemos nosso compromisso mesmo quando não nos sentíamos comprometidos, o que quer dizer que nunca desistimos, mesmo quando tudo era difícil, doloroso ou exigia esforço. Aprendemos a ceder, e descobrimos que as situações difíceis fazem com que nos tornemos mais fortes e mais pacientes. Manter o compromisso com metas e sonhos não é uma garantia de que vamos encontrar um caminho fácil, mas que nos esforçaremos para conseguir algo importante em cada passo dado naquela direção. Hoje, o sorriso no rosto da minha esposa é tudo o que preciso para confirmar que valeu a pena.


Tema em comum

Faz alguns meses, peguei espontaneamente um folheto no supermercado, em que se pediam voluntários para trabalhar em um abrigo local para pessoas sem-teto, e procurei o local para oferecer os meus serviços. Enquanto dirigia no estacionamento do abrigo, notei um homem de pé, fumando um cigarro. Lembrei-me de tê-lo visto poucas semanas atrás no centro comercial. Estava sentado fora do estacionamento, com um letreiro onde se oferecia para trabalhar em troca de comida. Pensei: “Se quer mesmo trabalhar, por que não procura um emprego, como faz todo o mundo?” Fiquei um pouco chateado com a ponta de culpa que senti por não lhe ter dado as moedas que tinha comigo, mas esqueci logo de tudo ao chegar em casa para jantar. Agora aqui estava ele outra vez, e sorri meio sem graça quando passei por ele. Dei-me conta de que estava prestes a servir jantar para um homem para quem eu não tinha sequer olhado diretamente uma semana antes. Depois da janta, mandaram-me separar roupas com alguns dos residentes temporários do abrigo. Encontrei novamente o mesmo homem, separando camisas e calças em duas pilhas. Enquanto trabalhávamos, começamos a conversar. Soube que tinha uma filha pequena quase da mesma idade do que a minha filha, de quem sentia muitas saudades. Fiquei surpreso ao descobrir que tínhamos nos criado na mesma cidade. Ambos lembrávamos de um restaurante local que era famoso pelo frango frito. No final da tarde, me dei conta de que lamentava que nossa conversa tivesse terminado. Junto a uma pilha de roupa usada, eu tinha aprendido uma lição inesperada. Se dedicarmos o tempo necessário, descobriremos que temos mais em comum com os que nos rodeiam do que imaginamos.


Cooperação

Quando a linha da minha vara de pesca se retesou e quase bateu no meu rosto, gritei de alegria. Com seus braços fortes, meu pai se aproximou e me ajudou a recolher a enorme massa de algas marinhas. Ele e minha irmã começaram a rir, enquanto eu olhava, sem acreditar. "Não ligue" – me disse, sorrindo – “daqui a pouco pegamos outro". Não ajudou muito que minha mãe quase deixasse cair a câmera, de tanto rir. Nunca pescamos esse peixe, mas, com o decorrer dos anos, meu pai me ajudou de muitas outras maneiras Eu trabalhava em seu consultório dentário depois da escola, ajudando no que podia. De noite, ele me ajudava com meus deveres de casa. E minha irmã foi a minha maior torcedora quando me formei na universidade. Éramos como um time. Agora me dou conta de como me sinto feliz quando trabalho com outras pessoas. Quer elas me ajudem ou eu as ajude, as obrigações parecem mais leves, e o tempo passa de modo mais agradável. Algum dia ainda vou conseguir pegar aquele peixe.


Valor

Muito poucas pessoas têm a oportunidade e o privilégio de fazer uma diferença. Gosto de pensar que cada dia que faço meu trabalho, de alguma maneira, por pequena que seja, contribuo para tornar algo melhor. Não é preciso que seja algo gigantesco; quando tinha seis anos, podia ser algo tão simples como ajudar meu gato a descer de uma árvore. As coisas que para uma pessoa correspondiam a um dia normal, para mim constituíam algo extraordinário. Agora que me transformei no que admirava, tive que aprender a enfrentar situações inesperada e difíceis. Tem havido momentos em que vejo coisas tão intensas que as lágrimas começam a correr antes mesmo de eu me conscientizar da emoção. É nesses momentos que me perco em minhas lembranças. As experiências difíceis da minha vida fazem com que todos os outros momentos sejam melhores do que seriam se não tivessem ocorrido. Por que faço o que faço? Porque preciso encontrar os momentos que transformam os lugares e as vidas que me rodeiam, e, o que é mais importante, os momentos que transformam a mim mesmo. Por isso vivo e desejo viver cada dia com essa finalidade em mente, é á única chama que está sempre acesa.


Cortesia

“Que forma fantástica de se cumprimentar”, pensei, ao observar dois homens de negócios japoneses se cumprimentarem com uma reverência. Não ouvi nenhuma frase automaticamente repetida, cheia de adulações hipócritas; o que vi representava um verdadeiro ato de cortesia. Por muitos anos eu havia ido a essas feiras comerciais e congressos, e nunca havia presenciado algo que tivesse me causado uma impressão tão forte. Enquanto observava esses homens, me perdi em pensamentos. Poucos minutos antes, mal conseguira evitar uma batida de porta na cara. A pessoa que ia na minha frente nem tinha olhado para trás para ver se alguém vinha atrás dela, antes de soltar a porta. Epa! Parece que escolhi mal o ponto onde parar no corredor. Um ruído repentino atrás de mim me trouxe de volta ao presente, e vi uma montanha de folhetos voando. Imediatamente me inclinei e comecei a juntar os folhetos espalhados pelo chão. Ao devolver ao mensageiro os folhetos que tinha juntado, ele sorriu. “Eu lhe devo uma desculpa; obrigado, mas não precisa me ajudar a juntar tudo isso.” “Claro que sim." -- respondi. Ao começar a caminhar de volta no corredor, meu sorriso aumentou.


Determinação

Sou professor de uma escola para crianças cegas e com problemas de visão. Quando alguém me pergunta sobre meu trabalho, quase sempre reage da mesma forma. Expressa preocupação e pena em relação a meus alunos, e comenta como deve ser difícil trabalhar com crianças que têm uma deficiência como essa, que afeta tanto a vida. Em vez de dizer que não precisam ter pena de meus alunos, sempre os convido a passar uma tarde conosco. Poucos aceitam o convite, mas quando o fazem, a visita os transforma. Adoro ver suas expressões de assombro ao nos verem praticando atletismo e basquete, ou ensaiando a peça escolar que apresentamos no final do ano letivo. Ficam espantados porque navegamos na Internet, lemos autores clássicos e participamos de feiras de ciência em todo o estado. Meus alunos são o grupo de crianças mais inteligentes e resolutas que já conheci. Solucionam problemas complicados com uma perspicácia e criatividade notáveis. Têm que lutar não apenas contra sua própria deficiência de visão, mas também contra os estereótipos daqueles que os rodeiam. E quando as crianças decidem fazer algo, é melhor sair da frente. Sua determinação de serem bem-sucedidas em um mundo muitas vezes pouco amistoso faz com que o que poderia ter sido uma vida difícil seja, na verdade, uma vida extraordinária.


Diversidade

Ao observar minha filha abrir seus presentes de aniversário, sentada no chão, rodeada de amigos, não pude deixar de pensar que estranho esse pequeno grupo teria parecido há apenas alguns anos, ou até mesmo agora, em outras partes do mundo. A diversidade das crianças me surpreende; os antecedentes étnicos e religiosos que este pequeno círculo representa se estendem pelo menos a oito ou nove países. Fico encantada com sua inocência e como se sentem bem umas com as outras. Quando ela apaga velas e as outras crianças prendem a respiração para ver se ela está fazendo um pedido, sei que aqui começa o processo de aceitação. É nesse ambiente que se começa a tecer a trama de todas as crenças. Estas crianças não vêem as diferenças, mas as semelhanças. E quando aparecerem as diferenças, espero que elas sejam um motivo de celebração e crescimento. Hoje, esse pequeno círculo de amizade me ajuda a acreditar que estamos criando um bom começo.


Fazer o que está certo

Quinta-feira de noite. Essa é a nossa noite, e papai nunca me decepcionou. Claro que tivemos que fazer algumas exceções em ocasiões especiais, mas ele nunca esqueceu nem cancelou o nosso encontro. Desde então, cresci e tenho minha própria família, mas ainda telefono para papai todas as quintas-feiras à noite, se ele não me telefona antes. Agora me dou conta que deveria ser difícil para ele dedicar-me essa noite todas as semanas. Tenho certeza de que ele sempre tinha trabalho para fazer, e que houve noites em que o que ele queria era descansar. Uma quinta-feira, seu melhor amigo telefonou com entradas para um grande jogo. Tenho certeza de que o amigo achou que ele tinha enlouquecido quando recusou o convite e disse que lamentava, mas tinha algo importante a fazer essa noite. Senti-me muito orgulhoso ao ouvir meu pai dizer que eu era mais importante do que a partida. O único problema que tenho em ligar todas as quintas-feiras para meu pai é a queixa do me próprio filho de que essa ligação tira tempo da nossa noite. Sei que um dia ele entenderá, e tenho certeza que me perdoará os 15 minutos que gasto ao telefone. Pois, afinal, é a nossa noite.


Esforço

"Você fez tudo o que podia? " - perguntou-me, enquanto eu arrastava os pés em direção ao automóvel. O time de beisebol de nossa universidade acabava de perder o jogo por quatro a um. Ergui os olhos e vi um homem com um chapéu de beisebol e uma prancheta com anotações. "Acho que sim" -foi a minha resposta. "Muito bem. Então não há razão para andar de cabeça baixa." "Mas nós perdemos" foi só que consegui dizer. "Sim, mas isso aconteceu por um motivo" - respondeu. "Você acha que o outro time fez tudo o que podia?" "Jogaram melhor do que nós" - disse eu. "Claro que jogaram. Foi por isso que ganharam. Mas vocês ganharam as três últimas partidas. E o seu time está com uma média de 0,355. Não parece estar sendo uma má temporada, não acha?" O que será que queria esse sujeito? Eu sempre fazia o melhor que podia. Aprendi isso com meu pai: Ele nunca deixava nada pela metade, nem faltava a um compromisso ou deixava de cumprir uma promessa. Seu lema era dar tudo o que se pode, inclusive quando a situação parece sem esperança. O homem da prancheta me deu um cartão de visitas. Foi só então que notei o anel da Série Mundial no seu dedo. “Se você está falando a sério quando diz que se deve fazer sempre o melhor possível, ligue para mim no final da temporada. Eu gostaria de te levar para uma liga mais importante."


Força

Um dia desses, meu filho de seis anos me ligou para o trabalho. Em meio a seus soluços, ouvi alguma coisa sobre ele ter caído e estar com uma enorme atadura no joelho. Eu estava ocupada organizando uma reunião, e, meio apressada, disse que o amava, e que ele podia me mostrar o joelho quando eu chegasse em casa de noite. A reunião da tarde se prolongou e estava escuro quando cheguei em casa. Havia esquecido completamente a ligação, até que cheguei em casa e entrei no meu quarto. Na minha cama, estava meu filho, semi-adormecido. Pensei primeiro em levá-lo devagarinho para sua própria cama, para que continuasse dormindo, mas eu sabia que de manhã ele ficaria decepcionado. Além disso, eu estava me sentindo bastante culpada por ter esquecido completamente o assunto. Acordei-o suavemente, e perguntei como estava o joelho. Era só um pequeno corte, mas falamos sobre ele durante quase uma hora, até que ele me pediu para levá-lo para a sua cama. Enquanto eu o deitava e o cobria, ele olhou para mim e sorriu. "Eu gosto de falar com você sobre essas coisas. Você sempre entende."


Esmero

A julgar só pelos resultados da temporada, poderíamos dizer que éramos um fracasso total. Em três anos, nunca tínhamos ganhado nenhuma partida. No entanto, nenhum de nós parecia notar isso. Todos os verões minha vizinha se oferecia para ser nossa treinadora. Essa mulher tinha mais paciência que qualquer outra pessoa que já conheci. Éramos mesmo muito ruins em campo. Éramos também o time mais jovem, os mais vagarosos, mas tínhamos a melhor torcedora nas laterais, que nunca nos fazia sentir que tínhamos perdido. Cada uma de suas ações estimulava o trabalho em equipe, a ética esportiva e o respeito, e jamais tolerava insultos. De uma forma simples, ela nos demonstrava que nem sempre se ganha no marcador. Na verdade, quem assistisse a uma de nossas festas depois dos jogos, na casa dela, pensaria que éramos invencíveis. Sem nos damos conta, não só aprendemos a viver melhor, através da convivência, como também descobrimos que ela sabia preparar excelentes biscoitos de chocolate.


Coração, ânimo

Era uma tarde fria de outono quando minha avó entrou na sala de aulas, sussurrou algo no ouvido de meu professor e me levou para fora. "Houve um acidente na fábrica, hoje, Joe"--disse ela com calma, enquanto abria a porta do carro. "Mas o teu pai vai ficar bom." Comecei a chorar, e, fiquei contemplando as ruas através das lágrimas, à medida que nos aproximávamos cada vez mais do hospital. Pelo que me pareceu uma eternidade, permaneci sentado entre minha mãe e minha avó, esperando por alguma notícia. Finalmente perguntei à minha avó: "Como é que a senhora sabe?" Ela apertou com força as mãos no colo, antes de me dar o olhar mais confiante que já vi: "Porque às vezes, Joe, acreditar é a única coisas que podemos fazer." Então ficamos sentados ali, os três, acreditando juntos que tudo terminaria bem. O médico apareceu alguns minutos mais tarde e confirmou a notícia. Vi como a tranqüilidade de minha avó se converteu em felicidade, e que caiu uma lágrima sobre suas mãos, agora cruzadas com suavidade. Fé. Apesar de minha avó não estar mais conosco, ainda acredito no que ela me ensinou. As relações e recordações que nascem da confiança estabelecem alguns dos laços mais fortes entre as pessoas. Para mim, viver com as convicções é o exemplo que ela me deixou, e a minha melhor retribuição.


Perdão

Quando éramos crianças, gostávamos de faltar a aula para dar uma caminhada curta rio abaixo e ver quem podia pegar a maior truta. Aquele ano havia sido maravilhoso para pescar, as condições eram perfeitas, como também era perfeita a minha vara de pesca. Lembro vividamente do momento em que, com um amigo ao lado, abri esse presente na manhã do meu aniversário. Estávamos tão emocionados... Nesse dia em particular, era a vez de ele levar a vara de pesca para o rio. Nós a compartilhávamos, pois ele ainda estava juntando dinheiro para comprar uma igual à minha. Enquanto caminhava, ele escorregou e caiu, suavizando a queda com as mãos e com a vara de pesca. Ambos ouvimos o som que ela fez ao rachar, e vi ele a expressão em seus olhos se encontraram com os meus. Foi então que eu disse algumas coisas que definitivamente não devia ter dito. Gritei coisas que ele me havia contado em segredo, traí sua confiança, mandei-o embora. Lembro-me claramente como caminhei sozinho para casa, nesse dia, com um pedaço da minha preciosa vara de pesca em cada mão, sentindo-me ainda pior pelo que tinha feito do que pelo que acontecera à vara. Ao chegar em casa, notei que algo não estava certo. Ao entrar, vi que minha família estava reunida imóvel em um círculo. "O tempo está piorando, filho, só temos uma semana para fazer a colheita antes que comecem as tempestades". Senti-me muito abalado, pois em uma semana poderíamos perder tudo. Estava a ponto de dizer algo ao meu pai, quando ouvi alguém batendo na porta. Quando fui atender, lá estava Tom, meu melhor amigo, com as mãos nos bolsos, olhando para os sapatos. “Acabo de ficar sabendo sobre as tempestades, Rick. Pensei que vocês talvez precisassem de ajuda. Fiquei totalmente surpreso. Meu pai se levantou da cadeira, sorrindo, e disse: "Então, mãos à obra." Naqueles momentos difíceis, o perdão de meu amigo foi uma grande ajuda para minha família. Desde então, como amigos, já percorremos juntos um longo caminho. Um caminho que ainda falta muito para terminar.


Amizade

Na escrivaninha de meu escritório, tenho uma fotografia. Quando os dias são longos, ou quando meus clientes se impacientam, lembro-me de reservar um momento para contemplar essa fotografia. É uma foto de meus melhores amigos, tirada faz alguns anos, e que me recorda os bons tempos que compartilhamos e o apoio que recebo até agora de nossa amizade. Embora nossas vidas tenham tomado rumos diferentes, o laço que criamos nos mantém unidos. É rara a semana em que não recebo uma mensagem de algum deles, "só para manter contato", ou uma carta trazida pelo carteiro com as últimas fotos do bebê ou das férias. Seguidamente recebo mensagens por e-mail com a piada do dia, ou com palavras de consolo por algo que esteja acontecendo na minha vida. Meus amigos aparecem para festas-surpresa de aniversário, mandam flores sem nenhum motivo, e um deles até já dirigiu cinco horas para assistir ao primeiro concerto de piano da minha filha. Nossa amizade tem me ajudado a sobreviver experiências difíceis e torna ainda melhores as boas experiências. É o tipo da amizade que independe de desacordos, mudanças e separações. O que me lembra que tenho algumas mensagens para responder.


Gratidão

"Obrigada pela visita", diz ele com um enorme sorriso sincero. Sorrio de volta e continuo meu caminho. Como é que esse velho vendedor de flores se mantém tão alegre? Na minha pressa de chegar ao trabalho, eu não fazia mais do que parar e admirar as flores. Já tinha passado por aquele carro de flores durante um ano, e, apesar disso, até então nunca comprara uma única flor. Decidi que finalmente no dia seguinte compraria um buquê de cravos para minha escrivaninha, e observaria como ele me tratava após a compra. "Obrigado pela visita"--foi sua única resposta, junto com o mesmo sorriso amplo e franco. Não pude resistir e perguntei: "Por que o senhor me agradece pela visita todos os dias, quando nunca tinha comprado nada?" Ele me olhou por um momento e respondeu: "Cada pessoa que pára para olhar minhas flores faz com que eu me sinta bem com o que faço. Tento colocar um pouco de alegria nesse mundo tão ocupado, e quando alguém pára para olhar, sinto que estou fazendo um bom trabalho." "Obrigado por estar aqui"--foi minha resposta sorridente, enquanto me apressava para chegar ao trabalho.


Trabalho árduo

Ele nunca se queixava, nem mesmo quando nós, ainda meninos, o ignorávamos, mas posso dizer que seu trabalho era árduo. Todas as manhãs pegava a marmita e dava um beijo em minha mãe. Em seguida, eu ficava na janela, abanando a mão enquanto ele dava a ré na velha caminhonete. Ele sempre me sorria, abanava, e me atirava um beijo antes de dobrar a esquina no caminho que o levava ao trabalho. Tarde da noite, escutava o barulho da caminhonete, e via pela janela um homem exausto arrastar-se em direção à porta. Quando entrava em casa, um sorriso animado aparecia em seu rosto, e envolvia a todos em um grande abraço. Foi durante esses abraços que notei pela primeira vez as mãos ásperas e manchadas, e as rugas que atestavam o trabalho duro. Nosso ritual continuava, um dia depois do outro. Todos os dias tínhamos comida na mesa e uma casa acolhedora onde viver. Todos os dias ele me mostrava os resultados do trabalho duro e a alegria de um lar cheio de afeto. Agora sou mais velho, e meu pai já não está conosco. Cada vez que me sinto infeliz com meu trabalho, ou acho a vida difícil, volto simplesmente ao trabalho, sorrio e me dou conta de quanto aprendi com ele.


Ajudar os outros

Era uma casa maravilhosa. Minha esposa e eu ficamos emocionados quando a encontramos. Depois de morar cinco anos em um apartamento pequeno, e com um bebê a caminho, era hora de finalmente termos uma casa com um jardim de verdade. Passamos a manhã carregando o caminhão alugado para a mudança, e fazendo a limpeza do apartamento. Depois disso, eu teria preferido descansar, mas sabia que só tinha algumas horas para descarregar a mudança em nosso novo lar e devolver o caminhão, evitando, assim, pagar outro dia de aluguel. Dei uma ré no caminhão na entrada da nova casa, e levei para dentro as primeiras caixas. Não sabia como ia conseguir tirar tudo aquilo do caminhão antes das cinco da tarde. Quando saía penosamente pela porta para buscar a nova carga de caixas, quase fui atropelado por uma cadeira que se movia rapidamente. Junto a ela se encontrava um adolescente que se desmanchou em desculpas. "Desculpe" - me disse- "Não tinha a intenção de bater no senhor. "Vi que sua esposa está grávida, e pensei que talvez precisassem de ajuda." Nesse momento notei uma fila de caixas se movendo para a casa, todas transportadas por vizinhos sorridentes. Minha esposa começou a movimentar-se por todos os lugares, dirigindo o trânsito. Só tive de transportar umas quatro cargas, e em menos de uma hora, o caminhão estava vazio. Definitivamente tínhamos encontrado a casa de nossos sonhos.


Honestidade

Sabia que alguma coisa não ia bem, porque ele normalmente ficava mais feliz após ver os seus amigos, e, por isso, perguntei o que estava acontecendo. Tinham recém acabado uma partida de basquete, e estavam apanhando suas bicicletas par ir para casa. Ao tirar o cadeado da sua bicicleta, esta deslizou e bateu em um automóvel que estava estacionado ali perto. O aspecto taciturno de seu rosto me indicou que havia voltado para casa sem dizer nada a ninguém. Perguntei se queria me acompanhar em umas voltas que tinha de dar, e, no trajeto para o mercado, expliquei as alternativas que ele tinha, e as conseqüências de sua decisão. No caminho de volta para casa, perguntei se queria dar uma parada no parque, e ele timidamente respondeu que não. "Bem, então, que tal irmos comer alguma coisa?" - perguntei enquanto estacionava. O restaurante não tinha mudado muito desde que eu trabalhara ali, muitos anos atrás. Reconheci a voz de meu antigo chefe, Fred, que vinha da cozinham e perguntei a uma das garçonetes se podia falar com ele. No começo, não me reconheceu, mas logo se lembrou, pois eu tinha sido uma espécie de superlavador de pratos. “Estou te devendo um pagamento, Fred. "Comi muitos hambúrgueres nos intervalos que havia ao lavarmos os pratos, e nunca paguei." Fred me olhou surpreendido, e não quis aceitar dinheiro, mas me agradeceu e disse que essa era primeira vez que alguém voltava depois de tantos anos para pagar uma dívida. Ao sairmos do restaurante, sorri quando meu filho me perguntou: "Por que o senhor fez isso, papai?" Minha resposta foi simples. "Estava cansado de me sentir culpado cada vez que passava pelo restaurante. Nunca é tarde demais para tentar corrigir um erro." Fiz uma pausa e lhe perguntei: "Você quer passar no parque outra vez?" Vocês não imaginam o que ele respondeu.


Esperança

A vida nem sempre é fácil. Quando chegamos a este mundo, ninguém nos garante que as coisas vão ser sempre fáceis. E isso é verdade para todos nós, não importa quem somos ou de onde viemos. Sei disso muito bem, por experiência própria. Em setembro de 1990, quando tinha onze anos, um automóvel me atropelou no primeiro dia de aulas da sétima série. O acidente me deixou paralisado do pescoço para baixo, e conectado a um respirador artificial. Antes de poder continuar a minha vida, tive que compreender que, apesar da situação, eu continuava a ser a pessoa que sempre tinha sido. Minha vida não havia terminado; pelo contrário, era apenas diferente. Apesar de que nossas experiências não terem sido exatamente as mesmas, a maioria de nós deve ter passado por coisas semelhantes durante a vida. Há dificuldades que todos temos de enfrentar, sem importar quais são. Especialmente nesses momentos de confusão, há pressões da sociedade para que nos comportemos de certa forma, muitas vezes sem saber das conseqüências possíveis. No entanto, para lidar adequadamente com esses desafios da vida, primeiro temos que ter um profundo conhecimento de quem somos de verdade. É quando adquirimos esse conhecimento que nos damos conta que não temos que nos arrasar perante nenhum obstáculo. Nenhum de nós tem que ser identificado pelos problemas que tem de enfrentar. Quando eu tinha doze anos e ainda estava no hospital, não podia deixar de me dar conta que algumas crianças que se encontravam ali comigo tinham desistido de tudo, e não viam que ainda tinham um futuro brilhante. Eu me perguntava a razão disso. Por que será que algumas pessoas não podiam ver todas as possibilidades que ainda tinham, mesmo se essas possibilidades não eram as que tinham planejado originalmente? O que tinham outras pessoas que as ajudava em seus momentos difíceis que lhes permitia enfrentar positivamente o futuro? Com o passar dos nos, acho que encontrei sozinho uma resposta: é uma questão de esperança. E quando digo esperança, não estou me referindo a coisas que desejamos, como "espero poder ir ao cinema neste fim de semana." Estou falando de esperança em um sentido mais amplo, que inclui um senso de autovalorização, uma capacidade de se adaptar às diversas mudanças da vida, e à capacidade de encontrar diversas formas de enfrentar os problemas. Isso inclui ter orgulho de quem se é, e o conhecimento de que as experiências pessoais, não importa quais tenham sido, ajudaram a pessoa a se transformar no que ela é. É com esperança que pude superar as dificuldades que tive de enfrentar, e é com esperança que cada um de vocês pode fazer o mesmo. A vida avança com uma série de desafios quase constantes, alguns maiores do que outros, que devem sempre ser enfrentados. Apesar de que em alguns momentos eles possam parecer inconquistáveis, os obstáculos de nossa vida muitas vezes são desvios que temos que tomar para atingir nossas metas finais. Não importa o tipo de adversidade ou desafio que se tem de enfrentar, pode-se sempre acreditar que, com esperança, ele pode ser vencido, e, no final, tornará a pessoa mais forte. A vida continua, sempre continua. O caminho que se toma, ao final, pode não ser o que inicialmente se havia esperado tomar.


Humildade

Meu pai era sargento reformado da Marinha, o que era fácil de ver. Todos os fins se semana tínhamos de nos levantar às oito horas, e tomar café da manhã, uma tigela de aveia quente que ele mesmo preparava. Depois disso, tínhamos de fazer nossas obrigações domésticas, e nenhum de nós se atrevia a pedir licença para ir brincar antes de estar tudo pronto. Meu pai também tinha uma forma original de castigar-nos. Enquanto as demais crianças tinham de ficar em casa como castigo de ter desobedecido uma regra importante em casa, nosso castigo era um corte cabelo. Mas não era um corte qualquer. Recebíamos o corte oficial dos fuzileiros navais: cabeça raspada. Nunca foi segredo, na nossa vizinhança, qual das crianças da minha família tinha feito algo que não devia. Aprendemos desde muito jovens que não podíamos ocultar dos demais nossa má conduta. Também nunca tivemos vontade de ser rebeldes. Naquela época, eu achava que meu pai era um pouco louco, mas hoje acho que era mais sábio do que eu pensava. Sirvo um café da manhã um pouco mais variado para meus filhos, e as tarefas domésticas são feitas de manhã. Mas ainda tenho que fazer força para esconder um sorriso quando vejo meu filho de seis anos com a testa franzida na cadeira do barbeiro.


Incluir os outros

Aprendi muito com o meu pai, mas não dos sermões que ele pregava. Não importava o que ele estivesse fazendo, sempre parecia encontrar alguma forma de me incluir. Até me deu um aparelho de barbear, sem a gilete, é claro, para eu poder acompanhá-lo no ritual matutino. Era maravilhoso. Nós dois tínhamos um relacionamento muito chegado. Sempre senti que ele me entendia e que podíamos falar a respeito de qualquer coisa. Também aprendi muito com ele. Agora que sou pai, entendo por que ele fazia o que fazia. Quando faço coisas com meus filhos, vejo como aprendem com meu exemplo. O que é mais importante, se estão comigo, sei o que estão fazendo. E acho que não é demais esperar que, quando tiverem idade suficiente para usar aparelhos de barbear, não se cortem demais.


Caráter

Pela quantidade de automóveis estacionados na frente da casa de minha tia, vi que estava às voltas com algum projeto. Seja para uma coleta de roupas para pessoas sem-teto ou uma campanha de coleta de livros para uma nova biblioteca, minha tia sempre está na liderança, organizando tudo. É surpreendente. Nunca a vi sentada, à espera de que as coisas melhorem. Quando algo precisa ser feito, é ela quem reúne as pessoas e faz com que o projeto deslanche. Quando entro em sua casa, ouço as risadas e a conversa que vêm da cozinha. Uma vez mais está tomando a iniciativa e algumas famílias necessitadas na área terão um jantar maravilhoso esta noite.


Integridade

"Mas papai, os operários já terminaram esse piso." Estava me lamentando enquanto o ajudava a colocar os materiais de instalação de pisos na caminhonete. "O que não está bem feito não está terminado" - foi sua resposta tranqüila. Eu estava trabalhando com meu pai durante o verão, em seu negócios de instalação de pisos. Havia instalado pisos em inúmeras casas em toda a cidade. Estava começando a me sentir como se tivesse morado em cada uma das ruas da cidade. Naquele dia, tudo o que queria fazer era sair com meus amigos. Mas aqui estava eu, com meu pai, dirigindo de volta a uma obra. Quando entramos na casa, olhei ao redor com atenção para ver exatamente o que tínhamos de fazer. Os proprietários nos haviam contratado na semana anterior para instalar assoalho de madeira em todo o nível principal, e eu estava mais do que cansado de colocar tábuas. Quando entramos no que parecia ser o escritório da casa, imagino que meu pai notou a minha expressão de irritação. "Olha aqui - " disse, apontando para uma área junto a uma estante. "Aqui há uma tábua torcida que está começando a rachar. Se a deixamos assim, com o tempo causará problemas ao proprietário." Quando terminamos de trocar a tábua defeituosa, finalmente me dei conta da razão pela qual o negócio de meu pai tinha tanto sucesso, e por que eu tinha tantos pisos para instalar.


Aprendizagem

Meu pai adorava automóveis. Lembro de ter observado como seu rosto se iluminava e sua maneira de falar mudava sempre que descrevia um motor ou recordava o conserto predileto que havia feito. Trabalhava fazia quase quinze anos na oficina de reparos de automóveis e chassis, fazendo com honestidade aquilo de que mais gostava. Quando menino, tive a oportunidade de vê-lo lidar com seus clientes e comprovar o valor da honestidade e da recompensa que se recebe pelo trabalho duro. Todos os sábados de manhã me levava a sua oficina e me mostrava em que estava trabalhando no momento. Explicava as técnicas, as ferramentas e o aspecto econômico de todos os consertos que estava fazendo Eu não entendia a maior parte do que ele dizia, mas não tinha necessidade de entender. Era mais do que suficiente ver o brilho de emoção em seus olhos, depois de mostrar-me algo novo, e o sorriso em seu rosto quando resolvia algum problema. Sua paixão pela vida inspirou a minha, e finalmente mudou a minha vida. Seu exemplo me ensinou coisas que nunca pensei que saberia, e fez com que eu me tornasse uma pessoa melhor. O que ele fazia era bem mais do que mostrar automóveis, era mostrar-me como viver.


Escutar

Era o sonho de todo menino. Aqui estava eu, com minha nova carteira provisória de motorista, sentado ao volante do automóvel de minha família. O semáforo passou para verde e eu já estava começando a pressionar o acelerador. "Pára, não vá!" - disse meu pai com seriedade. Olhei para a frente, mas não vi nenhum motivo para não avançar, de modo que pressionei o pedal. "Pé no freio!" - gritou meu pai. Sua voz forte me assustou de tal forma que meus reflexos reagiram. Pisei forte no freio, no momento exato em que um enorme caminhão de cimento surgiu, fazendo muito ruído, e cruzou a luz vermelha da intersecção. Subiu na calçada, derrubou uma cerca e finalmente se deteve contra um monte de terra de uma construção próxima. Meu pai fizera o que eu deveria ter feito. Ele olhara para ambos os lados e vira que o caminhão vinha à toda, sem parecer reduzir a velocidade. Eu estava tão emocionado de estar dirigindo que havia me concentrado apenas na mudança da cor da luz do semáforo. Essa foi só uma das muitas vezes em que me saí bem porque segui o conselho de meu pai, embora naquela época eu não tivesse entendido logo por quê.


Amor

"Para quem são essas flores?" - perguntou, sorrindo para o ramo de flores. Que pergunta tão desnecessária da pessoa que me guiou pelos percalços da vida. Essa é a mãe que trabalhava o dia inteiro e que tinha que atender os filhos de noite, enquanto eu estudava para me formar. Essa é a esposa que se sentava a meu lado e segurava as lágrimas, enquanto eu passava por um ano massacrante de quimioterapia. Essa é a mulher que controlava cuidadosamente nosso orçamento, para que pudéssemos pagar uma casa nova. Hoje o sol está brilhando, mas as nuvens escuras podem regressar. Não sei o que nos reserva o futuro, mas o que sei é que meu amor por ela cresceu, e que nunca colocarei em dúvida seu amor por mim.


Lealdade

Meu melhor amigo e eu havíamos passado vários longos verões falando sobre como poderíamos ter, algum dia, nossa própria empresa. Com dez anos de idade, não tínhamos idéia de que tipo de empresa seria, o que sabíamos é que queríamos trabalhar juntos. Éramos inseparáveis, inclusive em um dia em que fomos caminhar por umas rochas da vizinhança. Enquanto caminhávamos pelo terreno agreste, o velho cachorro ovelheiro de meu amigo nos seguia, abanando a cauda peluda. De repente, o solo cedeu sob nossos pés, e caímos na escuridão. Não sei como, a nossa queda só nos causou arranhões e marcas doloridas, mas de onde estávamos, só víamos o pequeno orifício de luz, muito acima, sem nenhuma perspectiva de saída. Á única coisa que conseguíamos ver era um rasgo de luz fraca, e a silhueta do cachorro peludo, olhando para baixo e latindo. "Vai para casa!" - gritou o meu amigo - "Vai para casa!" Depois de alguns gemidos de hesitação, o cachorro sumiu. Cerca de uma hora ou mais depois, a luz do sol começou a desaparecer, à medida que anoitecia. Estávamos começando a sentir medo e a pensar que certamente teríamos de passar a noite nesse buraco, quando começamos a ouvir débeis latidos. Era o velho cachorro que voltava. Logo os latidos ficaram mais fortes, e vimos os raios das lanternas voltadas para baixo, iluminando a escuridão. Com a ajuda de uma corda jogada, subimos para a superfície, ao encontro do grupo de resgate. Meu amigo e eu continuamos juntos e realizamos nosso sonho de trabalhar como sócios. De vez em quando ainda levamos algumas marcas roxas e arranhões no mundo dos negócios, mas tenho uma foto do velho cachorro ovelheiro na minha escrivaninha, para lembrar-nos de que, juntos, conseguiremos alcançar as nossas metas.


Oportunidade

A maior tempestade do ano depositou meio metro de neve em nossa cidade. Mas em vez de sentar com um livro junto à lareira, meu marido está na garagem, tirando o pó do removedor de neve giratório. A maioria das pessoas veria a neve acumulada como um problema, mas meu marido a considera uma enorme pilha branca de oportunidades. Em meio ao ruído do motor, e a nuvens de gases de escape com cheiro de gasolina, ele abre caminho em direção à calçada, e sobe por um lado da rua, descendo logo depois pelo outro. Não se preocupa apenas com a velhinha que mora algumas casas mais adiante, mas também limpa a entrada da casa do homem de negócios do lado oposto. Após uma nevasca, todo o mundo na nossa quadra sabe que ninguém precisa ficar com os ombros doloridos de usar a pá, e nem sequer precisa vestir o casaco para ir limpar a frente da casa. Basta simplesmente esperar pelo ruído do removedor de neve giratório, e o brado alegre de meu marido, avisando-os que sua calçada e entrada para a casa estão limpas. É assim que todos os vizinhos se tornam seus amigos.


Otimismo

"Vamos, rapaz, está tudo azul no horizonte!" Lembro-me desse dia, há muitos anos, no trampolim. Meu irmão sempre teve uma excelente visão da vida. Nada parecia deprimi-lo. Raramente se queixava e parecia que todo o mundo era seu amigo. Quando crescemos, ele começou sua própria empresa. Mesmo quando enfrentava contratempos, sempre achava um lado bom no qual se apoiar. Com o tempo, seus esforços produziram muitos frutos e sua empresa foi um êxito. Ele sempre foi o meu herói. Imitando seu entusiasmo pela vida, eu também comecei a abrir o meu caminho no mundo dos negócios. E sempre que me sinto deprimido e desanimado, olho para cima e lembro-me de sua voz gritando alegremente naquele dia de verão. "Está tudo azul no horizonte!"


Paciência

A lembrança mais preciosa que tenho de meu pai é de um dia de verão, no meio de um lago, nas montanhas. "Não sacode a linha. Recolhe a linha lentamente”—sussurrou meu pai. Mas era tão difícil. Eu detestava esperar por qualquer coisa. Em geral, eu demorava muito para decidir o que queria, mas uma vez que decidia, queria aquilo na mesma hora. E eu queria pegar o peixe naquele momento exato. Meu pai pareceu sentir minha impaciência. "Os peixes grandes não chegam ao tamanho que têm mordendo a primeira isca que bate na água" - me disse com calma. "Logo você vai descobrir que as coisas mais importantes, as que valem a pena, normalmente exigem muito tempo." Em seguida, com um sorriso que nunca vou esquecer, acrescentou: "Por exemplo, já passamos 12 anos juntos."


Perseverança

Um centímetro de cada vez. É assim que gosto de escalar, e é assim que gosto de viver. Naturalmente, o pico da montanha é a minha meta, mas se não calculasse cada movimento cuidadosamente, nunca poderia chegar lá em cima. Cada pequeno passo e cada parte do percurso representam um desafio único. À medida que subo o trecho íngreme, analiso as características da rocha, e aplico as técnicas aprendidas para avançar em direção ao meu objetivo. Meu pai me ensinou perseverança através do seu exemplo. Lembro-me que voltou a cursar a faculdade, quando eu era pequeno. Trabalhava todo o dia, ia à aula de noite e depois vinha para casa estudar. Não sei como fazia tudo isso, mas de alguma maneira cuidava do jardim sem problemas, e seu carro estava sempre limpo. Nunca lhe perguntei como conseguia fazer tudo isso, mas que conseguia, conseguia. Quando eu mal tinha feito dez anos, meu pai recebeu seu diploma universitário. Levou muitos anos para obtê-lo, mas atingiu sua meta e logo enfrentou outros desafios. Quando chego ao topo da montanha, olho para baixo e desfruto o momento. Logo junto meu equipamento e começo a planejar a próxima escalada. Um centímetro de cada vez.


Persistência

Quando era pequena, minha avó costuma tocar violino para mim na hora da sesta. Lembro-me que não havia nada que eu desejasse mais do que aprender a tocar tão bem como ela. Ela começou a me ensinar no dia em que fiz seis anos. Eu ficava emocionada só em pegar o lindo instrumento e emitir qualquer som que parecesse música, mas não demorou muito e fiquei frustrada. Após alguns meses, me sentia irritada porque não conseguia tocar tão bem como minha avó, e quis desistir de tocar. Ela sorriu e disse que eu é que tinha de decidir, e suavemente me tirou o violino das mãos. Depois de alguns dias sem segurar o maravilhoso instrumento, eu estava pronta para voltar e recomeçar as aulas. Minha avó me deu o violino, alegremente, e continuamos. Esse incidente se repetiu muitas vezes com o passar dos anos, até a minha primeira audição com a orquestra sinfônica juvenil. Enquanto me preparava para a audição, minha avó me entregou uma fotografia sua, sentada na primeira fila dos violinos de uma enorme orquestra sinfônica. O sorriso que a fotografia mostrava era o mesmo que eu via em seu rosto naquele momento. Atrás da foto, estavam escritas essas palavras: "A cadeira na primeira fila é para a menina mais persistente." Minha avó faleceu faz alguns anos, mas essa fotografia continua dentro da caixa de meu violino. Faço uma pausa e olho a foto sempre que tiro meu violino para assumir meu lugar na Orquestra Sinfônica Metropolitana, na primeira fila.


Realizam seus sonhos

Eu havia trabalhado durante mais de 25 anos como vigia e jardineiro de um pequeno hospital de crianças perto da praia da nossa cidade. O que me animava a trabalhar bastante era a mudança de expressão que via nos rostos das crianças que passeavam pelos jardins ou, de suas janelas, observavam os pássaros brincando. Eu sentia que estava fazendo coisas belas crescer, e, de alguma forma, sabia que elas podiam ver algo lindo e, talvez, sentirem-se um pouco melhor. Faz alguns anos, meu emprego estava ficando cada vez mais difícil. Eu estava envelhecendo e cada vez era mais difícil conseguir um equilíbrio entre o que queria fazer e o que tinha que fazer. Queria ver meus netos mais seguido, passar mais tempo na praia, fazer exercício, e, como sempre, a lista das coisas que queria fazer em casa continuava à minha espera. Uma noite, depois de um longo dia de trabalho, minha esposa me levou ao escritório e disse algo que mudou para sempre o rumo da minha vida. "Dar o melhor de si não significa que não se possa nunca parar. Ninguém deve achar obrigatório se sentir feliz". Minha aposentadoria foi um choque para todos os que me conheciam. Em uma cerimônia realizada em meus jardins, recebi um relógio de ouro, com uma dedicatória na parte de trás, que diz o seguinte: "De todos nós que vimos, sentimos o perfume, tocamos e admiramos seus jardins durante todos estes anos". Meus filhos e netos estavam presentes, e vê-los mostrar a admiração e o respeito que sentiam por mim foi uma experiência muito profunda para mim. Naquele momento, senti-me muito grato porque aqueles rostos me veriam mais freqüentemente nos meses vindouros. Já não trabalho para melhorar a aparência dos jardins, agora trabalho para ser eu mesmo melhor, e desenvolver meus relacionamentos pessoais. Não semeio mais flores, agora semeio recordações.


Respeito

O ritual era o mesmo todas as semanas. Ambos descíamos do automóvel e corríamos para dar um grande abraço em nossa avó, logo antes de ela nos levar para dentro de sua casa, onde nos esperavam os biscoitos recém saídos do forno. Meu avô sempre ficava no escritório, esperando. Quando entrávamos, tudo era mágico. Sentávamos-nos durante horas a fio, escutando suas histórias, enquanto vovó nos trazia biscoitos e leite até não podermos comer mais. A maioria das suas histórias era sobre a guerra. Eram histórias assombrosas sobre valor, coragem, nobreza e ações nobres. Falava sobre homens que não vira por mais de quarenta anos, homens que reconheceria se os visse, e a quem considerava irmãos. Sempre olhava Dave bem nos olhos, e dizia que ele tinha o mesmo coração que tinham esses homens. Punha sua mão em minha cabeça e explicava quanta força vovó lhe havia transmitido durante aqueles tempos difíceis, e quanta força eu também transmitia aos outros da mesma maneira. "O amor é uma coisa poderosa" - dizia. E tinha razão. Em todos os feriados do Dia da Independência dos Estados Unidos, 4 de julho, nós nos perfilávamos na frente da casa enquanto ele levantava a bandeira. Sempre tirava o chapéu e o passava para Davey, que o segurava junto ao coração, como lhe haviam ensinado. Olhávamos juntos para a bandeira, lembrando das histórias e pensando em tudo que isso significava. Jamais esquecerei a expressão de seu rosto quando desfraldava a bandeira. A única lágrima que corria por sua bochecha, à medida que lhe vinham as recordações, era suficiente para me fazer chorar. Ele considerou a causa legítima, e arriscou sua vida para lutar por essa causa. Esse sacrifício me ensinou uma das maiores lições. "Devemos respeitar a nós mesmos, respeitar as outras pessoas, e, acima de tudo, respeitar aquilo em que acreditamos."


Responsabilidade

Pela maneira como meus pais estavam se comportando alguns dias antes de eu fazer dez anos, eu tinha certeza de que finalmente ia ganhar meu próprio cavalo. Passei horas sonhando que cavalgava pelos campos, e que dava maçãs e cenouras ao cavalo no estábulo, e com a elegante sela de montaria que seria a inveja a todas as minhas amigas. Dei gritinhos de emoção quando papai entrou na minha festa e anunciou que tinha um presente especial para a aniversariante. Mas meu coração afundou quando ele abriu as mãos e me deu de presente um pintinho. Meus sonhos de sela de montar se desvaneceram. Apesar de que minha decepção era evidente, ele sorriu e me entregou o pintinho. "É todo teu. Acho que já você já está pronta para tomar conta deste pintinho sozinha." O pintinho foi mais difícil de criar do que eu imaginava. Tive que tapar todos os buracos pequenos da cerca do galinheiro, alimentá-lo e cuidar que tivesse sempre água fresca. Alguns dias, o tempo estava ruim demais para ir ao galinheiro, mas meu pai me lembrava que meu pintinho contava comigo para cuidar dele, e que eu tinha de fazê-lo. Meu aniversário seguinte chegou sem nenhuma expectativa. Já havia desistido do sonho de ter um cavalo. Nessa manhã, quando entrei na cozinha, meu pai apontou para uma enorme caixa embrulhada para presente, junto à porta dos fundos. Rasguei o papel e encontrei uma linda sela de montaria, com uma nota que dizia: "Leva esta sela para tua nova amiga no curral, é o teu presente."


Decisões corretas

Eram apenas histórias, mas todas as noites meus pais e eu nos reuníamos e líamos juntos um livro de contos de fadas. Cavaleiros valentes salvavam a princesa, pequenos duendes ajudavam as pessoas necessitadas, e crianças pequenas enfrentavam dificuldades por contarem mentiras. Cada uma dessas histórias tem um lugar no meu coração, especialmente a história da princesa que tinha de decidir qual era o caminho certo, em um bosque estranho e encantado. Há alguns anos, por ter perdido meu emprego, eu estava procurando desesperadamente um novo trabalho. Consultei o jornal e telefonei para meus amigos, pedindo informações. Depois de muitas entrevistas e de muito desânimo, finalmente aconteceu. Não uma, mas três ofertas de trabalho chegaram, todas no mesmo dia. Cada uma delas era para uma cidade diferente, e todas com o ordenado que eu precisava. Mas eu não conseguia decidir qual dos empregos devia aceitar. Os recrutadores faziam com que todos eles parecessem perfeitos, mas eu sabia que um seria melhor do que os outros, só não sabia qual. À medida que analisava cada empresa e minhas metas pessoais, comecei a me sentir em paz em relação a uma das ofertas. Mas ainda não tinha certeza. Quando me sentei para pensar, escutei a voz de minha mãe, como em minhas recordações, quando lia contos de fadas na minha infância. A princesa estava no bosque, e se sentia confusa porque todos os animais estavam lhe dando conselhos diferentes. E imediatamente eu soube a resposta certa. A decisão que tomei me deu uma carreira de que me sinto orgulhoso. Querem saber quais foram as palavras que lembrei? "Quando precisar de um amigo em quem confiar, ouça o seu coração."


Auto-estima

Meu filho Justin nasceu com paralisia cerebral. No começo, nós nos preocupávamos muito com como ele se adaptaria ao fato de ser diferente dos outros ao seu redor, mas a determinação de Justin, seu sorriso amistoso e seu entusiasmo pela vida lhe garantem a admiração e a afeição de todos que o conhecem. Por isso, muitas vezes, no meio de um dia difícil, basta olhar para ele, e tudo parece melhor outra vez. A grande paixão de Justin é beisebol, e há muitos anos joga com a Liga Milagre. Quando está no campo de beisebol, ele é um jogador do time, como todos os seus amigos, e é tratado como qualquer outro menino. Graças a essa experiência, Justin desenvolveu um sólido senso de auto-estima, e, em vez de se concentrar em suas deficiências, descobriu talentos que são só seus,. Ele se deu conta que a paralisia cerebral não tem que limitar quem ele é, nem o que faz. Ele gosta dizer: "E daí, se tenho paralisia cerebral? Posso fazê-lo mesmo assim!" Justin tem uma coragem incrível, e me ensinou que a vida é uma viagem com oportunidades infinitas de ser mais do que somos, e conquistar mais do que temos agora. Temos a opção de acreditar em nós mesmos e controlar as rédeas de nossos sonhos.


Servir

"Trouxe uma limonada gelada para você" - disse ela, sorrindo, enquanto me passava uma vasilha cheia de limões frescos. Não pude deixar de rir. Aqui íamos nós outra vez. Na semana anterior, enquanto me apresentava um saco de supermercado com farinha, açúcar mascavo e pedacinhos de chocolate, disse que estava me oferecendo biscoitos recém saídos do forno, decorados com pedacinhos de chocolate,. Duas semanas atrás, tinha falado em ensopado recém feito, e me mostrara uma cesta com verduras frescas. Minha vizinha é surpreendente. Pelo menos uma vez por semana, ela aparece com os ingredientes para algum prato especial para minha família, e começa a prepará-lo. Outras pessoas simplesmente preparariam o prato em casa, e viriam entregá-lo, mas ela, não. E eu fico muito contente com isso. Desde que fiz uma operação, no mês passado, tem sido muito difícil ir para a cozinha, e mais difícil ainda sair para visitar alguém. Espero com interesse não apenas os pratos da minha vizinha, mas também o tempo que passamos juntas enquanto ela prepara seus deliciosos quitutes na minha cozinha. Além disso, ela tem um senso de humor muito especial.


Compartilhar

A gritaria. Os resmungos. As brigas. Eu estava no meu limite, e comecei a me queixar a minha mãe, falando aos borbotões. "Me ensine como fazer com que eles se comportem como nós nos comportávamos quando crianças" - supliquei. Sua resposta foi começar a rir. "Muito obrigada, mamãe" - disse eu. "Desculpe", respondeu ela ainda rindo - mas vocês nem sempre souberam repartir as coisas. E começou a falar da "caixa dos brinquedos do mau comportamento". Cada vez que brigávamos por um brinquedo, ela vinha e tranqüilamente tirava o brinquedo das nossas mãos e o colocava na caixa. Eu me lembrava perfeitamente da caixa. Também lembrava que a solução nem sempre era justa, porque um de nós dois, sozinho, podia ser o responsável pelo problema. Mas minha mãe era firme. Não importava a razão da briga, o brinquedo desaparecia na caixa por uma semana. Não fazia perguntas, nem havia oportunidade para argumentar. Logo aprendemos que era melhor compartilhar um brinquedo do que perdê-lo. Muitas vezes, preferíamos esperar a nossa vez, quando ninguém mais estivesse usando o brinquedo, em vez de brigar e perdê-lo. Não era um sistema perfeito, mas tentei aplicá-lo rigorosamente. A caixa foi um choque para meus filhos. Nos primeiros dias, estava quase sempre cheia. À medida que as semanas passavam, comecei a notar que ela estava cada vez mais vazia, e que eles brigavam menos. Hoje é música para meus ouvidos ouvir quando meu filho diz à irmã: "Está bem, você pode brincar com ele."


Ensinar através de exemplo

Durante o ano escolar, meu pai se ofereceu para ser guarda voluntário de trânsito, após suas horas de trabalho. Nada o convencia a deixar o posto mais cedo ou abandonar suas obrigações de ajudar as crianças a cruzar a rua com segurança, nem a chuva fria, nem um resfriado, nem sequer um prato quente na mesa. Cada vez que eu o via com seu uniforme de guarda de trânsito, laranja vivo, eu me sentia cheio de orgulho por sua preocupação e dedicação aos outros. Meu pai era o tipo de pessoa que ajudava a qualquer outra pessoa, a qualquer momento. Quando uma mulher, encabulada, confessava no balcão da caixa do armazém que o dinheiro que tinha não era suficiente para pagar as compras, meu pai saía da fila e completava o dinheiro que faltava. Quando um motorista queria cortar na sua frente, em horários de muito trânsito, meu pai sempre o deixava entrar. Dava gorjetas generosas aos garçons e ajudava minha mãe a guardar as compras, sem que ela pedisse. Sei que meu fazendo isso para me ensinar como se oferecer para ajudar, ou como mostrar consideração; ele se preocupava sinceramente com os outros e gostava de ajudar quando podia. Além disso, acho que nem sequer se dava conta de que eu o estava observando. Mas era isso o que fazia. Como diz o provérbio, o que a pessoa faz mais seguido é o que ela faz por gosto, não por obrigação. Gosto de pensar no que ele fazia como se fosse uma tradição de família. Agora, procuro maneiras de ajudar as pessoas ao meu redor. Não passa um dia sem que eu tenha a oportunidade de ajudar alguém ou de oferecer-me como voluntário, ensinando assim meus próprios filhos através do exemplo. Um dia desses, o uniforme laranja de guarda de trânsito voluntário vai passar a fazer parte do meu guarda-roupa.


Tolerância

Lembro quando o diretor estava me levando pelo corredor da escola primária para uma nova sala de aulas, na terceira série, Quando a porta se abriu, o meu maior medo se tornou realidade: eu era o único negro na sala. Senti vinte e oito pares de olhos me examinarem atentamente. A professora sorriu ao me mostrar minha carteira, mas eu só conseguia pensar, enquanto tentava controlar as emoções dentro de mim, no quanto queria voltar à minha cidadezinha e à minha antiga escola. O que aconteceu na hora do recreio foi totalmente inesperado, e eu não sabia como reagir. Um menino se aproximou de mim e perguntou se eu queria jogar bola Levou-me para seu grupo e anunciou que eu jogaria no seu time. Ouviram-se algumas reclamações, mas era óbvio que esse menino era o líder e que ninguém se oporia. Ficamos amigos imediatamente. Com o passar dos anos, observei que esse menino se aproximava de todos os alunos novos. Achei que tinha sorte de ser parte de um círculo de amigos que aumentava constantemente, de uma amizade sem limites.


Confiança

"É logo depois desse morrinho" , me disse, enquanto eu tentava não sorrir. Faz quase uma hora que está me dizendo isso cada vez que consigo alcançá-la. De alguma forma, ela sempre me convence a ir com ela nessas caminhadas, todos os anos, e digamos que não tenho propriamente um talento natural para esse tipo de coisa. "Já estamos quase lá," disse, enquanto segurava a minha mão e me levava suavemente para a subida em que se encontrava. Foi sempre assim. Ela sempre gostava de animar a si própria e aos outros em situações difíceis. Eu sempre tenho procurado estar perto dela quando ela precisa de alguém, mas, na maior parte do tempo, o que ocorre é o contrário. Ela é uma dessas pessoas que são muito previsíveis, porque cada decisão que toma parece ter perfeito sentido. Sempre lhe peço conselhos, e nunca hesito em usá-los. "Sempre podemos contar uma com a outra, e isso é faz com que sejamos amigas" -- diz ela. A única coisa que tenho que fazer em troca é parecer me divertir quando saímos para caminhar, uma vez por ano. É mesmo logo depois desse morro?" pergunto-lhe enquanto ela corre para cima. "Confie em mim!" -- grita de volta, e começo novamente a sorrir.


Unidade

Fortes chuvas haviam enchido os rios que corriam próximos a nossa casa, e uma pequena represa se havia rompido no meio da noite. À medida que as águas barrentas corriam rua abaixo, as sirenes dos veículos de emergência ululavam subindo e descendo a rua, para evacuar todo mundo. Foi só na manhã seguinte que se ficou sabendo o grau de destruição causado. Embora ninguém tivesse se machucado, muitas casas foram danificadas, e os vizinhos lamentavam o que tinham perdido. Uma mulher chorava de pé, com lodo até os tornozelos onde antes tinha estado o gramado da sua casa. Ia se casar dentro de dois meses, e tinha guardado os presentes e o vestido de casamento no porão, que agora estava inundado por um metro e meio de água. Na tarde seguinte à inundação, vizinhos empunhando pás se reuniram em frente a uma das casas, e começaram a remover a espessa camada de lodo da área de entrada e do gramado. Quando terminavam uma casa, passavam para outra. Instalaram grelhas em vários lugares, e algumas mulheres foram ao armazém para providenciar comida para os trabalhadores. Outro grupo se dedicou a levantar os troncos das árvores que haviam sido destruídas pela água, e a plantar novas árvores. As crianças construíam fortes e cavavam buracos nas montanhas de lodo. Surpreendentemente, a inundação trouxe mudanças valiosas para nossa vizinhança. Um grupo de mulheres começou um grupo de costura para fazer um acolchoado para a vizinha que tinha perdido seus presentes de casamento. Novas amizades foram feitas, e formou-se uma equipe local que se reúne e planeja projetos comunitários todos os meses. Os homens se conheceram enquanto tiravam o lodo dos porões uns dos outros com as pás, e agora ninguém conserta um automóvel ou coloca um telhado novo sem que o vizinho pare para ajudar. Graças a essa nova união, temos um quarteirão bonito, seguro e amigo, e estamos todos felizes que nossa vizinhança não tenha voltado à normalidade.


Visão

"Bonjour" - disse-me alegremente quando saí de sua loja. Nunca havia me sentido tão bem ao comprar um par de sapatos, mas me dei conta de que os sapatos não eram a única razão do meu contentamento. Durante minhas férias na Europa, nunca imaginei que me sentiria tão comovido pela interação cotidiana com as pessoas comuns, como esse sapateiro. Quando menino, ele trabalhava lado a lado com o tio, e aprendera o ofício de sapateiro. Nunca fora rico nem famoso, nem viajara pelo mundo em busca de aventuras. Mesmo assim, construiu uma vida feliz para si próprio trabalhando muito, sendo bom amigo e ajudando a formar uma comunidade. Assumiu controle de sua vida, e compartilha com outras pessoas o prazer de uma vida simples. Nunca usarei esses sapatos sem me lembrar do alegre sapateiro que fez com que valha a pena viver.

Ajudar os outros

Era uma casa maravilhosa. Minha esposa e eu ficamos emocionados quando a encontramos. Depois de morar cinco anos em um apartamento pequeno, e com um bebê a caminho, era hora de finalmente termos uma casa com um jardim de verdade. Passamos a manhã carregando o caminhão alugado para a mudança, e fazendo a limpeza do apartamento. Depois disso, eu teria preferido descansar, mas sabia que só tinha algumas horas para descarregar a mudança em nosso novo lar e devolver o caminhão, evitando, assim, pagar outro dia de aluguel. Dei uma ré no caminhão na entrada da nova casa, e levei para dentro as primeiras caixas. Não sabia como ia conseguir tirar tudo aquilo do caminhão antes das cinco da tarde. Quando saía penosamente pela porta para buscar a nova carga de caixas, quase fui atropelado por uma cadeira que se movia rapidamente. Junto a ela se encontrava um adolescente que se desmanchou em desculpas. "Desculpe" - me disse- "Não tinha a intenção de bater no senhor. "Vi que sua esposa está grávida, e pensei que talvez precisassem de ajuda." Nesse momento notei uma fila de caixas se movendo para a casa, todas transportadas por vizinhos sorridentes. Minha esposa começou a movimentar-se por todos os lugares, dirigindo o trânsito. Só tive de transportar umas quatro cargas, e em menos de uma hora, o caminhão estava vazio. Definitivamente tínhamos encontrado a casa de nossos sonhos.

 
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"Los valores humanos mediante los cuales vivimos son realzados cuando los transmitimos a los demás...."